sexta-feira, 1 de abril de 2011

Goianinha. Até quando manteremos a tradição?

                           Início da procissão de Nossa Senhora dos Prazeres em abril de 1947.

Procissão de Nossa Senhora dos Prazeres, realizada tradicionalmente na segunda feira, ultimo dia de festividades religiosas do município, onde comemoramos o dia de Nossa Senhora dos Prazeres, a padroeira. Essa tradição vem desde a fixação da comunidade católica que seguia a ordem jesuítica instaurada desde o início da colonização, a aldeia de Antonia (Goaca ou Vejana posteriormente) fazia parte da ordem de missionaria de São João Batista. O legado religioso que seguimos tem em nos goianinheses um sentido espiritual muito forte, pois é no dia da procissão que os devotos mais distantes sentem que estão mais perto da santa, é a opotrutnindade que tem  para receber conforto e poder realizar pedidos a Nossa Senhora.

Além da procissão a missa de Nossa Senhora dos Prazeres realizada pela manhã na Igreja matriz também é para o povo goianinheses uma especie de aproximação com Deus, essas duas tradicionais manifestações religiosas são a identidade religiosa, aproximam o povo  misturam-se entre pobres e ricos todos com o mesmo sentido de devoção que apesar das adiversidades justica sua fé elevando o nome da Padroeira. Mais apesar de toda essa tradição religiosa, de sentimento cristão me faz pensar, até quando materemos a tradição?. Até quando teremos a memória preservada, até quando seremos Goianinha?. Pois um povo sem memória é um povo sem história, sem identidade, sem cultura, reduzido a nada por não deixar legado algum.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Goianinha , quem somos?

“Na festa da padroeira uma homenagem surge. Nesta manhã ditosa da Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres, tudo é alegria: os sinos repicam festivos; os corações vibram de contentamento; os fies se aproximam de Deus. È a emoção vivida pela aleluia da Restauração do Cristo! È a devoção á excelsa Padroeira, rainha e senhora de seus paroquianos! È o culto á mãe de um Deus que se fez homem, para redimir a humanidade.” Mª Simonetti Gadelha Grilo em “Goianinha no Contexto Histórico da Província”.

Diante dos meus olhos a ação devastadora do tempo me faz recordar os tempos de criança que vivi em minha terra, a calmaria das ruas do centro da cidade, onde uma pequena e significativa quantidade de comerciantes era responsável pela movimentação das ruas, em Goianinha não existe mais aquele aglomerado familiar, as famílias em sua maioria são constituídas por quantidade cada vez menor de membros, não há mais aquele entusiasmo social e religioso de suas figuras patriarcais. A morte e êxodo para a capital e outras regiões do país, assim com a perda da identidade de alguns goianinheses fez desaparecer a homogeneidade de idéias, de luta pela terra mãe.

Hoje, a influencia de novos elementos perdura contrastando com a luta de nossos patriarcas, que lutaram para que Goianinha tivesse sua identidade afirmada, a sua estrutura social e política estabelecida. Infelizmente não guardamos a nossa identidade, a nossa fisionomia. È verdade que o mundo esta passando por uma metamorfose nos padrões sociais, mais isso não significa que temos o direito de negar nossas origens culturais o que fez de nos quem somos, refiro-me as nossas tradições ao que temos como NOSSO, que o povo se orgulha de chamar de seu.

As tradicionais festividades e manifestações culturais são os principais registros de que estamos perdendo nossa identidade, a festa de abril, por exemplo, não guarda mais aquela “cara do povo”, a impressão que temos é que ela esta sendo feita mais para o publico externo do que para o próprio povo da cidade, cada ano uma estrutura maior que inevitavelmente, é esquecido o principal motivo da festa, a Religiosidade do povo goianinhese. È certo que o fato dessa festa ter se tornando tão grandiosa deve trazer algum beneficio financeiro para a cidade, no entanto, a falta da preservação da tradição causa um dano muito grande a nossa identidade, futuramente essa perda da memória não será mais reversível e não seremos mais Goianinha e sim uma pequena Goiana City.   


terça-feira, 22 de março de 2011

Da invasão holandesa a capela : o mito de Nossa Senhora dos Prazeres

Estando bem perto das comemorações as festividas de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira de Goianinha, o Goiana City apresenta aos leitores uma breve historia a cerca do mito a qual a santa esta envolvida, apresentando as duas versões sobre o aparecimento de Nossa Senhora dos Prazeres.

                                                     Nossa Senhora dos Prazeres

Durante a invasão holandesa a capitania do Rio Grande, em 1634 em Barra do Cunhaú trava-se uma batalha entre portugueses e holandeses vindos de Pernambuco, durante esse período a aldeia de Goacana ou Viajana era freguesia da Missão de São João Batista a qual pertencia Goianinha, Ares, São José de Mipibu, Nísia floresta e Tibau do Sul. Quando os invasores holandeses estavam passando pelas terras que hoje é Goianinha deram uma “parada” para combater os portugueses que defendiam a região, essa parada foi as margens de uma lagoa que mais ficou conhecida como Lagoa da Batalha.

A partir daí surge os mitos com relação a padroeira da cidade Nossa Senhora dos Prazeres, o primeiro mito conta que as margens da Lagoa da Batalha durante o confronte entre portugueses e holandeses havia aparecido uma bela mulher que usava uma túnica azul, com uma coité apanhava areia da lagoa e transformava em pólvora para ajudar os nativos e portugueses na batalha, expulsando os holandeses que se dirigiram para a ilha do flamengo. Um outro mito o mais conhecido é que fora encontrada em um tronco de uma carnaubeira a imagem da santa, levada para uma capela que foi erguida em sua homenagem, no entanto, a imagem desapareceu do local, voltando ao tronco da carnaubeira, o acontecido se deu por varias vezes ate ficar claro que a santa desejaria ficar no local onde foi encontrada.   

Uma capela foi construída para abrigar a imagem da santa pelas famílias do Jundiá, Souza Revoredo e Lopes Galvão, mais tarde com alvará régio de 13 de agosto de 1821 elevou a capela a categoria de Igreja, a Lei provincial nº 219de 27 de junho de 1850 tornou legal, a Igreja de Goianinha é a primeira construída no interior, seu altar em estilo gótico abriga varias imagens de santos, a mais imponente é a de Nossa dos Prazeres que foi trazida de Portugal no século  XVII, a paróquia foi criada em 27 de dezembro de 1689 tendo como primeiro Padre Dom Matias Figueiredo. No arco da Igreja em uma inscrição escrita em latim “Tota Pulcra Est Maria”, Sois toda formosa, ó Maria.

As comemorações religiosas de Nossa Senhora dos Prazeres inicia-se sempre no domingo de páscoa, que acontece entre o final de março ao inicio de abril, por esse motivo a festa da padroeira é conhecido como “a festa de abril”.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Assim nasceu o Zé Pereira

Vinda de uma tradição carnavalesca de Portugal, o famoso “Zé Pereira”, segundo alguns estudiosos do assunto carnaval atribuem a  versão brasileira ao português José Nogueira de Azevedo Paredes, um sapateiro que viveu no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Há registros em diversos livros sobre carnaval que apontam a chegada do “Zé Pereira”no Brasil entre 1846 e 1850. No entanto, a categoria "Zé Pereira" só se fixaria anos mais tarde, na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de “bloco de rua”. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de “Zé Pereira”.

Um momento importante na fixação da brincadeira no imaginário da folia no Rio de Janeiro seria a encenação, em 1869, de uma burleta carnavalesca intitulada O Zé Pereira carnavalesco.
A partir daí o conceito da brincadeira do Zé Pereira iria adquirir feições tipicamente brasileiras (e principalmente cariocas, onde surgiu) associando-se à alegria característica das ruas da folia no Rio de Janeiro. O passo seguinte seria a "oficialização" do Zé Pereira através do estabelecimento de sua genealogia e de sua morfologia resumidas na obra de Moraes (1987). Extinto no começo século XX, o “Zé Pereira” deixa como sucessores a cuíca, o tamborim, o reco-reco, o pandeiro e a frigideira, instrumentos que acompanham e animam até hoje as nossas escolas de samba que são hoje a marca registrada do carnaval brasileiro, acompanhado de outros movimentes regionais como o frevo pernambucano

Em Goianinha como em grande parte das cidades do interior do nordeste a tradição do Zé Pereira sofreu algumas alterações, aqui o nosso Zé Pereira, é nada mais nada menos de que o costume dos homens se vestirem de mulher nas noites de carnaval e saírem as ruas acompanhando um cortejo seguindo um burro mulo também fantasiado. Diz a tradição local que Zé Pereira era um morador da cidade que se vestia de mulher nas noites de carnaval e saia com seu burro pelas ruas á meia noite, arrastando uma quantidade de pessoas que faziam uma grande festa. Hoje não existe mais a tradição, o movimento tornou-se uma coisa grandiosa, com trios elétricos, blocos e apresentação de grandes artistas.

Infelizmente a tradição foi alterada, hoje não existe a inocência da brincadeira, a folia tornou-se replica de uma que não é nossa, resta-nos pensar o que de nós deixaremos para posteridade?, Qual a nossa identidade?, O que seremos no futuro? Não preservamos o que é nosso, o novo supera o tradicional e nos acostumamos com o que não nos pertence, até tentamos, mas o novo sempre prevalece.  






terça-feira, 1 de março de 2011

Sobre Goianinha


No inicio da colonização do Rio Grande, dada a partir da expedição que saiu de Lisboa em novembro de 1535, chefiada por Aires da Cunha e João de Barros (seus donatários), a Capitania do rio Grande seria colonizada, depois de passar por varias divergências a capitania foi colonizada.
O Território que hoje é a cidade de Goianinha era ocupada por índios Janduís, os Janduis eram chefiados pelo rei Jandui, cuja principal aldeia localiza-se em um lugar denominado “Fura Boca”, a uma distancia de meia légua ao norte da cidade de Açu, os indígenas que habitavam a região de Goianinha não se restringe apenas aos Janduis havia também a presença dos Canindés. “Canindé, Tribo chefiada por Canindé filho de Jandui, figura da figura das guerrilhas cearenses que constituía uma divisão dos Janduis que recebeu o nome de seu chefe Canindé. Em 1701, legislação da Junta das missões, recebeu por ordem do Rei de Portugal uma légua quadrada de terra para aldear os índios  do rancho Canindé e Janduis, localizada na ribeira do Jundiá-Peroba, no município de Goianinha”. Marlene da Silva Mariz e Luiz Eduardo Brandão Suassuna – Historia do Rio Grande do Norte, pag.56. 

Os indígenas que habitavam a região de Goianinha dedicavam-se a pesca, caça, coleta de frutos e o plantio de milho e mandioca, o primeiro nome dado a região, segundo a historia local era Goiana que vem do vocábulo tupi, “Guaiana” que significa abundancia de caranguejo, em 1635, o atual município tinha o nome de Goacana ou Viajana, no século XVIII, apareceu o topônimo Goianinha, Goiana Pequena para distingui-la da Goiana PE. Pois a região tinha uma população de brancos possivelmente holandeses, os primeiros moradores de Goianinha eram comerciante vindos de Goiana PE, há divergências sobre a exploração das terras, mais segundo a tradição local  a formação do núcleo populacional foi decorrente das sesmarias doadas a vendedores ambulantes oriundos de Pernambuco entre 1679 à 1690.

Anteriormente Goianinha fazia parte da Missão de São João Batista, sob a direção dos jesuítas que foram expulsos após os holandeses  também terem sidos expulsos das terras de Jacumaúma ( Ares), em 27 de outubro de 1928, o deputado Antonio Bento de Araujo Lima apresentou e defendeu na assembléia  estadual um projeto para elevar Goianinha a categoria de cidade, essa realidade foi concretizada em 09 de novembro 1928 com o aval do Deputado Juvenal Lamartine de Farias, sendo Goianinha o único município do estado criado por lei federal (Lei Federal nº. 712).

No inicio de sua afirmação predominou em Goianinha a cultura açucareira, destacando-se o s engenhos de Ilha Grande, Bosque, Bom Jardim, Mourisco, Benfica, Sumaré, Carnaubal, Pontal, Jardim e outros menores, onde o inicio da moagem era dia de festa.

Sobre o blog.

" A gente de Goianinha não tem somente um grande amor á cidade, mas uma verdadeira e justificável emoção pela terra nutriz. Não importa a lentidão do crescimento da cidade. Importa muito, em verdade, a fionomia social e moral da comunidade." Senador Eloy de Souza, 13/02/1943 em "A republica".

Motivada pela emoção pela qual o senador destaca dos goianinheses, me dedicarei a este blog com intuito de mostrar realmente "a cara" de Goianinha, amparada pelo conhecimento e estudos historicos que me dedicarei, desejo oferecer aos meus conterrâneos a historia, a formação e os filhos (os de destaque ou os simples "filhos da terra" nascidos ou não ) dessa terra que tanto amo.