quarta-feira, 2 de março de 2011

Assim nasceu o Zé Pereira

Vinda de uma tradição carnavalesca de Portugal, o famoso “Zé Pereira”, segundo alguns estudiosos do assunto carnaval atribuem a  versão brasileira ao português José Nogueira de Azevedo Paredes, um sapateiro que viveu no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Há registros em diversos livros sobre carnaval que apontam a chegada do “Zé Pereira”no Brasil entre 1846 e 1850. No entanto, a categoria "Zé Pereira" só se fixaria anos mais tarde, na segunda metade do século XIX, o termo era usado para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de “bloco de rua”. Ferreira (2005) e Cunha (2002) abordaram o tema com profundidade destacando a multiplicidade de forma e conceitos que podiam envolver as diversas brincadeiras chamadas genericamente de “Zé Pereira”.

Um momento importante na fixação da brincadeira no imaginário da folia no Rio de Janeiro seria a encenação, em 1869, de uma burleta carnavalesca intitulada O Zé Pereira carnavalesco.
A partir daí o conceito da brincadeira do Zé Pereira iria adquirir feições tipicamente brasileiras (e principalmente cariocas, onde surgiu) associando-se à alegria característica das ruas da folia no Rio de Janeiro. O passo seguinte seria a "oficialização" do Zé Pereira através do estabelecimento de sua genealogia e de sua morfologia resumidas na obra de Moraes (1987). Extinto no começo século XX, o “Zé Pereira” deixa como sucessores a cuíca, o tamborim, o reco-reco, o pandeiro e a frigideira, instrumentos que acompanham e animam até hoje as nossas escolas de samba que são hoje a marca registrada do carnaval brasileiro, acompanhado de outros movimentes regionais como o frevo pernambucano

Em Goianinha como em grande parte das cidades do interior do nordeste a tradição do Zé Pereira sofreu algumas alterações, aqui o nosso Zé Pereira, é nada mais nada menos de que o costume dos homens se vestirem de mulher nas noites de carnaval e saírem as ruas acompanhando um cortejo seguindo um burro mulo também fantasiado. Diz a tradição local que Zé Pereira era um morador da cidade que se vestia de mulher nas noites de carnaval e saia com seu burro pelas ruas á meia noite, arrastando uma quantidade de pessoas que faziam uma grande festa. Hoje não existe mais a tradição, o movimento tornou-se uma coisa grandiosa, com trios elétricos, blocos e apresentação de grandes artistas.

Infelizmente a tradição foi alterada, hoje não existe a inocência da brincadeira, a folia tornou-se replica de uma que não é nossa, resta-nos pensar o que de nós deixaremos para posteridade?, Qual a nossa identidade?, O que seremos no futuro? Não preservamos o que é nosso, o novo supera o tradicional e nos acostumamos com o que não nos pertence, até tentamos, mas o novo sempre prevalece.  






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